ITUANO 79 ANOS

Postado em 24/05/2026
Edson Bellon, Gilberto, Edson Gaúcho, Djalma, Eli Carlos, Pereira e Renato Gaúcho e Leli (coordenador). Agachados: Ivan Xisto, Ezequiel, Django, Sereno e Rogério Nucci.

Caríssimos, hoje, 24 de maio o Ituano Futebol Clube completa 79 anos de história repleta de glórias e momentos inesquecíveis.

 

Infelizmente nos últimos dias fomos surpreendidos pela notícia da morte de um dos nossos grandes talentos ao longo dessa história: Rogério Nucci, um “garoto” de 64 anos, que marcou passagem pelo Galo nos anos 1980, como habilidoso ponta-esquerda.

 

Comemoramos aniversário, mas ao mesmo tempo, tristes com essa notícia.

 

Mas o espetáculo não pode parar.

 

E isso nos remete aos primórdios dessa gloriosa jornada.

 

A História nos conta que no século 19, um grupo de cafeicultores ituanos, preocupados com as dificuldades logísticas da época para levar o chamado “ouro negro” (café) até o porto de Santos, fundaram a primeira ferrovia privada do Brasil: a Estrada de Ferro Ituana, saindo de onde ainda hoje é a estação ferroviária da cidade, rumo a Salto e Indaiatuba, e lá acessava o ramal para Jundiaí onde se encontrava a Estrada de Ferro Santos/Jundiaí, facilitando o escoamento do café até o porto.

 

A Ituana foi vendida para a Estrada de Ferro Sorocabana que constrói ramal em sentido oposto ao primeiro fazendo chegar os trilhos até Mairinque (lembrando que o antigo traçado passava por onde hoje é a Avenida Galileu Bicudo) e lá acoplava-se à grande malha ferroviária dominada pela Sorocabana.

 

E umas das grandes benfeitorias feitas pela Sorocabana foi o Estádio Álvaro de Souza Lima, que, como de regra, as empresas ferroviárias da época construíam nas cidades das estações de trem. Assim se deu com Araraquara, São José do Rio Preto e outros tantos municípios.

 

No Estádio Álvaro de Souza Lima foi criado um clube de futebol denominado Associação Atlética Sorocabana – AAS, posteriormente alterada a denominação para Ferroviário Atlético Ituano – FAI, quando o governo paulista estatizou todas as empresas ferroviárias do Estado e criou a FEPASA.

 

Estávamos nos anos 1970. Época de efervescência política nacional e mundial, com grandes transformações tecnológicas.

 

Em meados daquela década, um grupo de abnegados esportistas ituanos sonhavam com a retomada da prática do futebol profissional na cidade, carente desde que o lendário Clube Atlético Ituano – CAI, o Marechal de Ferro, criado nos anos 1950, sagrando-se bicampeão paulista da 2ª Divisão naquela década e havia encerrado atividades, definitivamente, no ano de 1968.

 

O grupo era liderado pelo não menos lendário e nunca suficientemente homenageado Vicente Elias Schanoski, homem de múltiplas atividades, pois ao mesmo tempo em que exercia o emprego formal de bancário no extinto União de Bancos Brasileiros (UNIBANCO), na agência de Itu, onde era um dos subgerentes, ocupava o cargo público de Presidente da Comissão Municipal de Esportes da Prefeitura – CME (honorífico, diga-se), encontrando tempo também para a atividade de radialista na então poderosa Rádio Emissora Convenção de Itu.

 

E com ele somavam os esportistas José Cláudio Carneiro (que havia atuado profissionalmente no Marechal de Ferro), Jesus Vasquez Meira Perez (então presidente da Liga Ituana de Futebol), Vicente Pavani (então dirigente de futebol amador na cidade) e os professores que integravam a CME com Schanoski, Geraldo Luiz Sturem Vecchi (Gera da Tutti Sports), Luigi Bandetini e Luiz Antonio de Campos (Tonho), dentre outros.

 

Com apoio do então Prefeito Olavo Volpato, integrante do partido dos militares que ocupavam o poder no Brasil, a Aliança Renovadora Nacional – ARENA, onde também militava o então Presidente da Federação Paulista de Futebol - FPF, o sorocabano Alfredo Metidieri, o grupo fez gestões para que fosse criada a 3ª Divisão de futebol no Estado (na verdade a 5ª Divisão, pois havia a Especial, a Intermediária, a 1ª e a 2ª).

 

O FAI, no ano de 1977, disputou pela primeira vez aquela divisão, ao lado de outros da região, como o Comercial de Tietê, 11 de Agosto de Tatuí e Guarani Saltense.

 

Formou-se uma seleção de jogadores locais, que disputavam o campeonato amador e sob o comando do saudoso técnico Sérgio Alexandre Fioravanti, coadjuvado por Gera, Luigi e Tonho, embrenharam-se no mundo do futebol profissional, com a cara e a coragem, quase uma aventura amadora pois o clube tinha somente as camisas e um ou outro associado que contribuía com algum patrocínio.

 

A estreia deu-se em Rio das Pedras. O primeiro jogo em Itu foi disputado no Souza Lima contra o Barra Bonita.  

 

Schanoski presidiu o FAI até 1981.

 

A partir de 1982, assumiu a direção o comerciante Roberto Bellon, que convidou alguns então dirigentes do Esporte Clube Vila Nova, pontificando seu primo Darcy Bellon, dentre outros.

 

E Bellon trouxe para integrar sua diretoria o saudoso cirurgião-dentista Hélio Sebastião Tomé, que havia sido jogador profissional do Uberaba de Minas (sua cidade de origem) e destacava-se no futebol amador de Itu, dirigindo um time denominado Ajax.

 

Com Hélio Tomé, o FAI começou a ganhar ares mais profissionais criando alojamento para jogadores no próprio Souza Lima e a implantação de uma cozinha no mesmo local.

 

Foi nessa época que chegaram em Itu dois daqueles que viriam a ser grandes nomes no futebol brasileiro e até mundial, especialmente Luiz Carlos Pereira e Rogério Nucci, que moravam nas precárias instalações de alojamento na época.

 

Sucedeu-se que no ano de 1982 o então Presidente da FPF, Nabi Abi Chedid, resolveu unificar as divisões intermediária com a 1ª e a 2ª com a 3ª, restando três divisões: 1ª, 2ª e 3ª. E foi assim que o FAI galgou seu primeiro acesso, digamos assim.

 

O fato é que o clube estava preparado para a terceirona (na verdade a 5ª), e em breve espaço de tempo, viu-se obrigado a disputar um outro e muito mais difícil patamar, quando nos defrontamos com a poderosa Saltense da época, e as não menos fortes Primavera de Indaiatuba, Velo Clube rioclarense e Ginásio Pinhalense de Espirito Santo do Pinhal, com quem travamos gloriosas e renhidas disputas, lembrando que a partir de então deixamos nossa casa-mãe, o Souza Lima e passamos a jogar no Majestoso da Vila Nova (alcunha dada por Schanoski), o Estádio Dr. Novelli Júnior.

 

Apesar do esforço hercúleo, não havia mais condições de se manter no futebol profissional naquele patamar. O FAI correu risco de encerrar precocemente suas atividades.

 

No entanto, os deuses do futebol não queriam que isso acontecesse e conspiraram para que Rosan Francischinelli, sempre assediado para colaborar e resistente, concordou em integrar a direção do FAI, embora, no início sem cargo, mas com seu prestígio, trouxe pessoas de alta capacidade no mundo futebolístico, como Renardo Pravatta, os irmãos Purgatto (que haviam jogado no Marechal de Ferro), Antonio Lui,  Ulisses Pavani e, principalmente, Otávio Boni, que assumiu a presidência em 1983 e compôs, com Rosan, forte e atuante grupo diretivo.

 

Tanto que em 1984, o FAI cumpriu exemplar campanha, ficando mais de 20 jogos sem conhecer derrota, sob o comando do técnico Brasília; em 1987 conquistou o acesso à 2ª Divisão e em 1989 o tão sonhado acesso à elite do futebol paulista, quando Rosan ocupava a presidência do Clube.

 

Ou seja, em apenas uma década, a de 1980, o FAI ascendeu ao maior nível do futebol paulista e com o acesso à 1ª Divisão, mudou o nome para o atual Ituano Futebol Clube, conhecido nacional e internacionalmente.

 

O resto da história todos vocês conhecem.

 

Airton Luiz Zamignani, advogado, foi tesoureiro do Ituano na gestão 1981/1982.

 


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